Nego Ale: percussionista desde sempre!
Aos oito anos, Alexandre já se encontrava com o pandeiro nas mãos. Foi tocando nas rodas de samba próximas a sua casa que a música entrou em sua vida de forma pura e verdadeira.
Desde pequeno, Nego Ale já demonstrava sua paixão pelos instrumentos de percussão. Aos oito anos, era comum vê-lo com um pandeiro nas mãos, tocando nas rodas de samba ao lado dos pais dos amigos, em um boteco simples na esquina de casa. Foi ali, naquele cenário informal e cheio de vida, que a música cravou seu espaço definitivo em sua trajetória.
Nos anos 90, mergulhou na cena Hip Hop, participando de oficinas de rap, dança de rua e discotecagem. Essa fase marcou também seu primeiro contato com o Movimento Negro e com temas como desigualdade social e racial, drogas e violência — assuntos que ampliaram sua consciência e se refletiram em sua arte.
Sua formação musical teve início em 1988, com aulas de bateria e teoria musical com Nado, e mais tarde com mestres como Lauro Lellis, Chico Medori e Sergio Gomes. Estudou percussão com Jorge Marciano e Cleber San, além de aprofundar seus estudos na Fundação das Artes de São Caetano do Sul com Alexandre Damasceno, Nelton Nessi e Alexandre Biondi.
Ao longo da jornada, também se especializou em cursos na EMESP (antiga ULM), como Ritmos do Brasil com Denilson Oliveira, Percussão Brasileira com Guelo, Independência e Ritmos Latinos com Lilian Carmona e Percussão Corporal com Stenio Mendes.
Sua maior inspiração veio ainda na juventude, ao assistir ao show “Cravo e Canela”, de Milton Nascimento. Na bateria, Robertinho Silva, acompanhado dos filhos na percussão. Aquele momento foi decisivo: ali nascia a certeza de que a música seria sua profissão e a percussão, seu caminho.
Entre suas influências, estão nomes como Beth Carvalho, Fundo de Quintal, Djavan, Emílio Santiago, Leny Andrade, Ivone Lara e Pixinguinha. Com o tempo, também se encantou pela música black norte-americana — Stevie Wonder, Take 6, Earth, Wind & Fire — e pelos sons cubanos do Buena Vista Social Club.
Hoje, com uma trajetória sólida e inspiradora, Nego Ale segue fazendo da percussão sua linguagem e da música, seu instrumento de transformação. Em seu currículo, ostenta desde trabalhos com expoentes da música brasileira como Rodrigo Régis e Tata Alves, até estrelas internacionais como a norte americana Candice Ivory.
coisa de preto: mais do que um show, um convite a história da arte e da cultura afrobrasileira.
Este espetáculo celebra o encontro de muitas influências africanas que estão presentes em nossa fala, escrita, culinária e na música, convidando o espectador a refletir sobre o seu cotidiano.
Coisa de Preto é um show/workshop idealizado por Alexandre Faustino (Nego Ale), que celebra a força e a ancestralidade da cultura negra no Brasil, homenageando a luta, a resistência e o legado do povo preto.
Sob o tema “Vozes que Ecoam – Músicos Negros e o Silenciamento na História da Música”, o projeto convida o público à escuta e ao reconhecimento de artistas negros fundamentais para a construção da música brasileira e internacional, mas que foram sistematicamente silenciados e invisibilizados.
No palco, Nego Ale apresenta, por meio da percussão, a riqueza rítmica, cultural e histórica desenvolvida pela comunidade negra no país. Ao seu lado, está a voz potente de sua filha Barbara Soares, Silas Lopes no violão e vocais, Valter Dog no contrabaixo, cavaquinho e arranjos; além de Henrique Levi, na flauta.
O espetáculo se inicia com um solo de percussão e o Hino da África do Sul, marcando o tom político e ancestral da apresentação. Na sequência, o grupo revisita e ressignifica o repertório de grandes nomes da música negra, trazendo diversidade de ritmos e uma nova leitura para clássicos como: Um Sorriso Negro de Dona Ivone Lara, O Mundo é um Moinho e O Sol Nascerá de Cartola,
Cravo e Canela de Milton Nascimento, entre outros.
Mais do que um show, Coisa de Preto é um ato de amor, resistência e subversão. É o reflexo de 40 anos de trajetória musical de Nego Ale, construído com os aprendizados de mestres, parceiros, alunos e familiares — e profundamente conectada à ancestralidade que sustenta e inspira a cultura afro-brasileira.
Confira os vídeos do artista em ação
“Rio Amazonas”
Dori Caymmi
“Solo e Hino da Africa do Sul”
Projeto Coisa de Preto
“Samba Duro”
Aula de Multi Percussão









